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Professores repudiam pressão patronal para volta às aulas

31/07/2020



Vídeo em defesa da volta às aulas tem causado revolta em professores e trabalhadores em estabelecimentos de ensino. A peça, produzida pelo Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Rio de Janeiro, insinua que crianças e adolescentes estariam imunes aos riscos do coronavírus por serem assintomáticos.

A narração do vídeo coloca em xeque estudos sobre a pandemia do coronavírus e o distanciamento social, recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e adotado em todo o mundo democrático.

Entidades que representam trabalhadores do setor repudiam a publicação. Para o professor Celso Napolitano, presidente da Federação dos Professores do Estado de SP e diretor do SinproSP, a volta às aulas só pode ocorrer no tempo certo e em condições que vão muito além das medidas sanitárias. Ele diz: “Essa discussão não deve ser motivada por critérios econômicos ou políticos, mas com base em certificados científicos que garantam a saúde de toda a comunidade acadêmica e escolas, incluindo alunos, pais funcionários e educadores”.

Segundo Napolitano, familiares dos alunos, professores e demais trabalhadores da escola são simplesmente ignorados. “É uma ação criminosa, que têm por meta unicamente garantir os interesses econômicos de alguns empresários que tratam a educação como mera mercadoria. Eu não colocaria um filho meu numa instituição que compartilhe desse pensamento”, ele declara.

Guarulhos – Durante sete dias, o Sindicato dos Servidores Municipais de Guarulhos (Stap) realizou enquete pra saber a opinião dos trabalhadores sobre a reabertura das escolas neste momento. Mais de 1,8 mil participaram. Destes, 96% votaram contra.

Diretora do Stap e presidente do Conselho Municipal de Educação, Sara Santana, afirma: “A sociedade entende que não podemos expor as crianças e seus familiares ao risco de contaminação. Temos que nos cuidar, a fim de preservar vidas”.

Fiocruz – Em sintonia com educadores e especialistas, a Fiocruz lançou semana passada documento no qual reitera o alerta de que a volta às aulas no Rio acontecerá antes da hora e representa um grave risco para a saúde pública. “Diante da possibilidade de recrudescimento de casos e óbitos no município do Rio de Janeiro, a reabertura das escolas parece prematura”, afirma a publicação da Fiocruz.